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Muito comum ouvir dos amigos bebedores de vinho o seguinte: - “Ah! Outro dia abri uma
garrafa e me deparei com uma rolha sintética??!!” ou então: - “ah! E a minha, além de
sintética era cor de laranja! Ou ainda: “Quando vejo que o vinho não tem rolha (vinhos com
tampa de rosca) eu nem compro!!”
Calma gente, o problema nem é tão grave assim! Afinal, o vinho existe há 7000 anos a.C e a
rolha de cortiça surgiu somente no século XVII, ou seja, ele se virou muito bem enquanto
solteiro, até o dia em que se casou com a rolha! Mas, nos dias atuais o vinho andou “pulando a
cerca” e conhecendo outras maneiras de mantê-lo fechado. No entanto, será que essa relação
está fadada ao insucesso? Vejamos:
Existem vantagens e desvantagens nos três tipos de vedação encontradas no mercado de hoje,
quais sejam: a rolha tradicional de cortiça, a rolha sintética e a tampa de rosca de alumínio,
chamada de “screwcap”.
A ROLHA TRADICIONAL: A cortiça é retirada da casca do sobreiro, uma árvore espécie do
carvalho. Pois bem. Um sobreiro demora de 25 a 30 anos para dar sua nova safra. Após esse
período, a cada 10 anos, sua casca pode ser pelada novamente, isto é, trata-se de um ciclo
natural que alguns especialistas dizem não acompanhar o volume de vinho produzido, uma vez
que Portugal é um dos poucos países que fornecem rolhas de cortiça para o mundo todo. Eu
discordo, pois acho que tem cortiça pra dar e vender, mas sabe-se lá né!
Além disso, um dos defeitos que podem aparecer no vinho é proveniente da rolha de cortiça,
pois ela é dotada por um composto conhecido como TCA, que, quando ataca o vinho, dá um
gosto de mofo insuportável, chamado no popular de “bouchoné”.
A ROLHA SINTÉTICA: entraram no mercado na década de 90 e têm algumas vantagens sobre a
cortiça, tais como, o custo é mais barato, é industrializada, permite que o vinho seja
armazenado em pé e não deitado, porque, abrindo parênteses aqui, o vinho só deve ser
guardado deitado em virtude da rolha de cortiça, pois quando em contato com o vinho, ela se
dilata e impede a entrada de oxigênio, mantendo apenas uma micro oxigenação. E voltando, a
principal vantagem é que não transmite a doença da rolha.
No entanto, entre as desvantagens, alguns dizem que passa um gosto de plástico para a bebida
se guardado por muito tempo e, com isso, não servem para vinhos de guarda. Além disso, os
tradicionalistas torcem o nariz para esse tipo de rolha que, inclusive, podem ser coloridas,
como cor de laranja, verde limão, amarela, entre outras!! Eis o mundo “restart” do vinho.
A TAMPA DE ROSCA ou SCREW CAP: Também é de baixo custo, dispensa o uso de saca-rolhas,
bom para aqueles que ainda colocam a garrafa no meio das pernas para abri-la, também são
livres do “bouchoné” e podem ser guardados em pé. Está sendo muito utilizada no novo
mundo, principalmente na Austrália e Nova Zelândia.
EM SUMA: O tema ainda “vai dar pano pra manga” e só o tempo vai dizer qual será o futuro da
vedação das garrafas de vinho. Eu sou da escola tradicionalista. Gosto de desarrolhar a garrafa
e sinceramente acho muito difícil a cortiça não acompanhar a produção dos vinhos. Mas o fato
é que, com rolha de cortiça, sintética colorida ou mesmo sem rolha, o negócio é esperar
sentado, em boa companhia, bebendo um bom vinho não é mesmo! Viva!